domingo, 8 de outubro de 2017

Santa Cruz 0 x 1 América-MG

"A bola é redonda." Apesar do desempenho abaixo do desejado, o resultado foi excelente, ainda mais depois de duas derrotas seguidas.

Aliás, nas cinco derrotas sofridas no Brasileirão, o rendimento americano foi superior ao da vitória sobre o Santa Cruz.

Vencer nem sempre é sinônimo de jogar bem. Perder nem sempre significa jogar mal.

Mais um conceito, que deveria fazer parte do legado da participação do América, na Série B de 2017.

Ainda, em time que está ganhando também se mexe, a presença do acaso e o mesmo modelo de jogo poder ser utilizado dentro e fora de casa.

A reabilitação na competição deve servir para evitar a síndrome do pânico, em parte da torcida americana, e manter a tranquilidade, estabilidade e confiança da comissão técnica e jogadores.

O Santa Cruz deve ter sido o adversário que mais teve volume de jogo contra o América.

João Ricardo foi obrigado a fazer uma defesa salvadora, Grafite cabeceou com perigo dentro da área, o imprevisto colaborou na marcação de impedimento no gol sofrido, houve rebatidas do setor defensivo, em especial Messias, e cobrança de falta na trave, no último minuto.

O time americano teve dificuldade para trabalhar a saída de bola, trocar passes e fazer a proposta de jogo. Faltou postura e posse de bola ofensiva, mas ainda assim, acertou mais finalizações que o adversário.

A posse de bola e quantidade de passes certos foram reduzidas, em relação aos jogos anteriores.

Sem Zé Ricardo, a primeira linha de três para começar a transição praticamente inexistiu.

Destaque para Matheusinho, pelo poder de decisão, e Messias, pelos bloqueios, desarmes e rebatidas.

A arrancada americana no primeiro turno começou contra o Santa Cruz, sem ter sido uma vitória convincente e com um gol do Matheusinho, em finalização de fora da área.

Vamos subir, Coelhô. Acredita, América!

posse de bola: 61 x 39
finalizações certas: 3 x 5
finalizações erradas: 9 x 6
passes certos: 471  x 205
passes errados: 45 x 39
cruzamentos certos: 8 x 3
cruzamentos errados: 21 x 16
escanteios: 4 x 7

João Ricardo: Uma defesa salvadora e antecipação nos cruzamentos pelo alto..

Norberto: Mais defensivo que ofensivo. Dois desarmes, 10 rebatidas.

Messias e Rafael Lima: Mantiveram a segurança defensiva. Messias rebateu 13 vezes, defendeu e bloqueou em três oportunidades.

Pará: Foi o americano que mais acertou passes. Só 30. Número bastante baixo. Buscou a linha de fundo no segundo tempo.

Juninho: Sem função na saída de bola e pouco produtivo quando avançou. Acertou 17 passes e errou cinco.

Ernandes: Combativo, acertou 26 passes e errou seis.

Matheusinho: Marcou o gol da vitória, fez um lançamento para Luan finalizar, e duas assistências para finalizações. Sub-19, em processo de formação, cada vez mais evoluído.

Ruy: Talvez pelo excessivo recuo do Matheusinho e Luan para colaborar na marcação, foi improdutivo na criação das jogadas, sem poder de finalização e decisão. Só 14 passes certos. Nenhuma finalização.

Luan: Competitivo. Acertou três finalizações, errou duas. Perdeu 10 vezes a posse de bola. Número alto.

Bill: Uma assistência para Norberto, uma finalização certa.

Renan Oliveira: Assistência para Matheusinho, cinco passes certos, quatro errados.

Ceará e Zé Ricardo: Foram combativos.

Enderson Moreira: Em relação ao comentário sobre o não aproveitamento do Zé Ricardo, o contratado para ocupar o lugar do prata da casa, em um clube essencialmente formador, precisa ter um desempenho bem superior, a fim de justificar a titularidade. Porque se o rendimento de ambos for parecido, a prioridade deve ser do prata da casa, pelo valor cultural de revelar e aproveitar talentos formados em casa, pelo potencial de valorização e custo-benefício.

O América precisa preservar a própria identidade.

Santa Cruz:
Júlio César;
Nininho, Guilherme Mattis, Anderson Salles e Yuri;
Derley, Wellington Cézar (Natan), Thiago Primão e João Paulo;
André Luís (Bruno Paulo) e Grafite (Ricardo Bueno).
Técnico: Marcelo Martelotte

América:
João Ricardo;
Norberto (Ceará), Messias, Rafael Lima, Pará;
Juninho, Ernandes;
Matheusinho (Zé Ricardo), Ruy (Renan Oliveira) , Luan;
Bill.
Técnico: Enderson Moreira

Gol: Matheusinho

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Marco Antônio

3 comentários:

Rodrigo Carvalho disse...

Muito espaço dado ao adversário que entra e fica no meio da zaga/defesa e os volantes. Com Mateusinho na ponta, ficamos com 1 a menos no meio e não estamos ocupando como deveríamos essa faixa do gramado. Já marcamos melhor e precisamos melhorar, o resultado foi ótimo.

Marck Tavares disse...

Mais uma excelente análise, como sempre Marco Antônio.

Concordo com todos os pontos citados, sobre o Zé Ricardo penso o seguinte: assim como o Matheusinho foi ganhando a posição de titular aos poucos, creio que o treinador vem fazendo o mesmo com o Zé. Esse ano o Zé Ricardo (em partida do Brasileiro, dentro do Independência contra o Ceará) foi expulso. É jovem e promissor, isso é inegável. Tem feito boas apresentações, também - porém ainda o vejo bastante afobado algumas vezes (entendo que é um característica da idade) sendo assim, sobre a entrevista pós jogo acredito que o treinador parte por esse viés, não deixar o garoto desgastar enquanto jogador, afinal: quantas promessas da base foram 'queimadas', talvez pela insistência de treinadores antigos.

E na partida contra o Oeste (naquele desastre) Juninho foi um dos poucos se ñ o único que teve ao menos uma exibição 'guerreira'.

Vamo subir Coelho!

Bruno Henrique Santos Jaued disse...

Isso aí resumiu toda a situação.